Publicado em 14 de maio de 2026

Homem faz terapia?

A resistência dos homens em buscar terapia devido ao medo de demonstrar vulnerabilidade

Homem faz terapia?

Essa pergunta é pra você, meu amigo homem.

Meu brother, meu consagrado, meu nobre, meu “cumpádi”. Papo reto. Papo sério.

Esse é um texto pra conversar um pouquinho com você sobre a gente, que é homem.


Pra você, homem pode fazer terapia?

Você já fez? Teus amigos fizeram ou fazem? Teu pai, teu irmão, teus tios já buscaram atendimento psicológico?

Olha só umas coisas que eu ouço de vez em quando:

“Cara, eu não vou lá, não preciso disso”. “Pode deixar que eu mesmo resolvo”. “É só um problema passageiro, logo se resolve”.

Sabe de quem eu ouço frases parecidas com essas?

De pacientes mulheres. São falas de namorados, maridos, filhos, familiares, amigos.

É muito comum que nós homens tenhamos resistência pra buscar ajuda profissional. Pedir ajuda em um geral já é difícil, então imagina ajuda psicológica, emocional.

A gente empurra com a barriga quando surgem problemas como ciúmes, insegurança, baixa autoestima, estresse, traição, vícios, problemas de comportamento, de relacionamento, impulsividade, questões sexuais e dificuldades de muitas outras naturezas. A gente deixa pra depois. Tenta dar conta sozinho.

Às vezes dá certo. Às vezes a bomba estoura.

Muitas vezes a gente acha menos constrangedor buscar atendimento médico do que de um psicólogo. Ninguém vai achar estranho você ir num médico, né? Mas num psicólogo? Aí não...

E quer saber porque a gente tem esse medo, esse constrangimento?

Desculpa, mas vou te mandar a real, meu nobre: é porque a gente tem medo de mostrar vulnerabilidade. Medo de mostrar que a gente tem medo. Que tem dúvida, insegurança, medo de mostrar que a gente ama. É mais fácil colocar tudo isso em baixo de uma “casca” de alguém que não sente e que segue em frente. Muitos dos meus pacientes homens já me disseram isso, e muitos levaram bastante tempo pra perceber e assumir também. Se você é como eu, também deve ter assistido uma pá de filmes com os maiores “brucutus” da história do cinema: Stallone, Schwarzenegger, Van Damme, Seagal, Chuck Norris e tantos outros. E como eles resolviam as coisas? Não era procurando ajuda. Era indo pra cima, com raiva e com os punhos.

Só que isso não funciona no mundo real.

Pois é, meu amigo. Admitir que precisamos de ajuda é algo que dói, porque assim a gente precisa assumir que podemos estar errados em muita coisa. E quer saber? A gente erra mesmo, cara. A gente erra, e erra pra um caramba. Precisamos admitir que temos problemas, e que não conseguimos resolver muitos deles sozinhos. Reconhecer essa realidade é o primeiro passo pra que a gente consiga procurar ajuda.

E por último, te digo:

É preciso ser muito homem pra admitir isso.