Você lembra de como era a vida longe das telas?
A saudade de uma época em que as pessoas viviam os momentos com presença e intensidade.

Talvez você lembre disso.
As pessoas não interrompiam o almoço, a viagem, os passatempos ou um rolê pra mostrar na internet que estavam felizes.
Elas só... viviam o dia a dia.
O prato de comida esfriando na mesa significava que a conversa tava boa. Não era porque alguém levava um tempão arrumando tudo e procurando o melhor ângulo pra uma foto.
Nos encontros entre amigos, a gente não precisava pausar a conversa e pegar o celular pra checar se tinha mensagem ou notificação.
Nos bares e lanchonetes, você percebia que tinha mais barulho. O barulho era das vozes misturadas de dezenas de pessoas conversando.
A gente lembrava das viagens pelas experiências e sensações, não pelos posts e stories.
O momento vivido de uma forma pura e crua importava mais que a reação das outras pessoas através de likes ou comentários. A gente não precisava engajar nada nem ninguém além de quem estivesse presente conosco.
As pessoas cantavam músicas inteiras em shows sem tirar os olhos do palco, e mantinham os braços erguidos pra sentir a vibe ao invés de segurar o smartphone pra filmar tudo (e não assistir de novo depois).
Muita coisa acontecia sem nenhum registro.
E talvez seja por isso que as memórias parecem ser mais reais, mais intensas e mais presentes.
Hoje muita gente não consegue viver algo sem pensar imediatamente em transformar aquilo em conteúdo ou numa trend.
Enquanto a gente fica tentando mostrar pra todo mundo o que a gente tá fazendo e que a gente tá feliz o tempo todo, a gente pode estar deixando de sentir a felicidade real acontecendo.
Será que é por isso que tanta gente sente saudades daquela época?
A gente não precisa entrar em uma nostalgia “cringe”. A parada é a seguinte: não tem a ver com a tecnologia em si. É sobre o fato de que a gente conseguia viver um momento inteiro sem precisar mostrar aquilo pra ninguém. Na singularidade de cada instante, a gente registrava as emoções à nossa própria maneira nos cantos mais preciosos da memória.
Será que ainda somos capazes disso?